05/05/2017

Marionetas


A noite era fria, mas não tanto como o teu coração. O cigarro parecia acolhedor, mas não tanto como os teus abraços. A bebida era amarga, mas não tanto como as tuas palavras. Os teus olhos eram pretos, mas não tanto como o breu da noite. A noite em que me deixei levar por um pensamento meio suicida conhecido por "viver o momento", ainda que não estivesse a curtir nada. A visão já estava turva, e no meio de um mar de gente, só te via a ti.
No entanto, não estavas lá. Maldito álcool, sempre a usar a nossa mente para brincar às marionetas, entre outros tipos de jogos que nos fazem ligar para uma paixão perdida às três da manhã. Ou às quatro. Ou às cinco.
Já não sei o que é ter a noção do tempo, embora saiba onde é que ele vai acabar por nos levar. Com ou sem cigarros, alucinados ou não. Quando as forças superiores se cansam de brincar às marionetas connosco, deitam-nos fora. Não passamos de brinquedos monótonos, com um prazo de validade, cheios de remendos. No entanto, nunca ninguém se lembrou de tentar remendar o coração partido de uma pobre marioneta.

Texto da minha autoria. Não copiar sem autorização prévia. Escrito a 11/02/2017.

01/05/2017

May your May be glorious

Covilhã, abril de 2017. Foto da minha autoria.
Abril foi um mês de altos e baixos, mas foi um mês em que tive a possibilidade de encontrar uma motivação que já procurava há imenso tempo. Nas férias da Páscoa fui à Serra da Estrela, e esses ares do Norte fizeram-me muito bem, vim com a cabeça mais fresca, e disposta a pôr todas as adversidades da minha vida no preto e no branco. Deixar de correr atrás do que não vale a pena.
Agora em maio, é para batalhar muito, levantar algumas notas, fazer um último esforço antes das férias do verão. Custa, devido a estes feriados todos e aos dias ensolarados, mas tem de ser. Pode ser que ajude a motivar aqui a donzela a levantar-se do sofá e ir perder aqui umas gordurinhas de estimação. ahaha

Espero que tenham todas um excelente mês! Ah, e antes que me esqueça, em maio o blogue faz dois anos, e estou a ver se consigo preparar uma surpresa, por isso fiquem de olho por aqui ;)

30/04/2017

Chapéus e Botas


Um leve aroma paira no ar, proveniente da padaria do outro lado da rua. Talvez estejamos numa gelataria. Ou talvez num café. Nenhuma de nós tem bem a certeza, mas isso não é de todo importante. Estamos perdidas no meio da cidade das luzes, mas estamos juntas. Sentadas numa mesa no meio de uma rua desconhecida, a comer um gelado. Sempre preferiste morango, enquanto que o meu sabor predileto é baunilha.
Usas botas de cano alto, e eu um chapéu de abas largas. É a moda parisiense do momento, e conversamos sobre o tudo e o nada. Encontramo-nos numa outra época, longe de tudo o que sempre conhecemos, e juntas lidamos com os olhares indiscretos dos que giram a cabeça para trás, surpreendidos com a a nossa classe. Rimos alto. Cantamos todas as músicas que sempre recomendámos. Temos nas nossas mãos o poder de parar o tempo, e fazemo-lo da forma mais irracional possível. Porque os sonhos nunca foram para serem pensados, mas sim vividos. Não queremos acordar. E não o iremos fazer tão cedo.  O sonho é tão doce como o sabor do gelado. Basta fechar os olhos e fazê-lo perdurar para sempre.

Texto da minha autoria. Não copiar sem autorização prévia. Escrito a 30/04/2017.
Dedicado a uma amiga bastante especial.

28/04/2017

16 coisas que aprendi em 16 anos


Há pouco tempo fiz 16 anos, e decidi compilar uma lista das dezasseis experiências pessoais que me fizeram tirar as minhas próprias conclusões sobre certas surpresas que, por vezes, a vida nos dá (ou tira). Ah, sim, dei-me ao trabalho de escrevê-las pela ordem que as aprendi, ou seja, todos os pontos formam uma espécie de linha temporal.

1- Escutem a opinião dos outros. São muitos os que ouvem, mas raros os que escutam. Aprendam a escutar as diferentes opiniões de cada um e respeitem-nas sempre, mas não tenham medo de discutir se a opinião dos outros for baseada em argumentos completamente vazios.

2- Se alguém disser que vai pensar se vai voltar a ser vosso amigo ou não, esqueçam. Não corram atrás. Deixem ir. Especialmente quando a culpa não é vossa. Sei que dói ouvir coisas destas, mas por vezes são necessárias para nos abrir os olhos e fazer crescer.

3- Tentem sempre fazer melhor. Chuva (e uma ou outra caganita de pássaro) são as únicas coisas que caem do céu, o resto está nas vossas mãos. Por isso estudem, pratiquem, apliquem-se, e quando quiserem desistir, lembrem-se do porquê de terem começado.

4- Palavras magoam. São mais afiadas que facas, e rasgam a alma. No entanto, com o tempo todas elas acabam por desvanecer, e apesar do tempo não apagar o que sentimos quando nos disseram alguma coisa, vai fazer com que aprendamos a aceitar as coisas como elas foram.

5- Os vossos pais vão sempre adivinhar quem são os vossos falsos amigos. Muito antes de vocês. Pela minha experiência, quando ainda estamos naquela fase meio "ilusória", já os vossos pais detetaram a milhas quem é que vos vai desapontar. Prestem atenção a isso.

6- As pessoas crescem e mudam. E muitas vezes acabam por se tornar nas pessoas que disseram que nunca seriam. E com isso eu aprendi que as pessoas a quem um dia chamámos de melhores amigos podem virar meros estranhos.

7- O verão é a melhor altura do ano para fazer uma mudança. Não estou a dizer que os outros dias não o são. Mas acho que toda a gente já se apercebeu que o verão dá uma vibe diferente à vida. Não vale vir com conversas de que a única vibe que o verão vos traz é a da preguiça ahaha

8- Mudanças radicais são importantes. Especialmente se forem súbitas, se vos der na gana, sem terem pensado no assunto antes. Chegar a casa, pegar numa tesoura e cortar o cabelo (por acaso alguém se lembra de quando eu vos contei essa história? ahaha) por vezes pode ter um resultado desastroso, e aí aprendem a não repetir o erro. Mas por outro lado, podem acabar por se surpreender.

9- O vosso gosto musical é o vosso melhor amigo. Tenham a certeza de que ele é bom e que não vos enche os ouvidos com palavras ocas.

10- Os rapazes não são todos iguais. Nem as raparigas. Todas as pessoas têm as suas diferenças. Há gajos que são estúpidos e que muitas vezes nos deixam na merda, mas também há outros que têm a capacidade de nos fazer sorrir e melhorar os nossos dias, seja ou não o vosso namorado. O mesmo se aplica às raparigas.

11- Deixem o orgulho de lado. Sempre fui muito orgulhosa e ainda sou, mas aos poucos aprendi a lidar melhor com isso e a demonstrar o meu arrependimento perante certas situações.

12- As coisas podem sempre ser piores. Por muito má que seja uma determinada situação, ela pode sempre piorar. A Lei de Murphy não dá tréguas.

13- Uma festa nunca matou ninguém. Por isso, não é preciso ter medo de ir a uma. Nunca se sabe o que pode acontecer no frio da noite. No entanto, se decidirem não ir, é na boa, porque deixem-me ser muito honesta e dizer-vos, ninguém quer realmente saber.

14- Não insistam no que não vale a pena. Defendo a teoria de que apenas devem desistir quando não há nada que vos prenda a determinada pessoa ou situação. Se for preciso, bloqueiem o número dele/dela e relaxem.

15- Rodeiem-se de arte. E passo a citar a Rainbow Rowell, "A arte não é suposto ser agradável, é suposto fazer-te sentir algo". Ou seja, seja a música mexida ou triste, apenas escuta e deixa-te levar. Perde a noção do tempo enquanto desenhas, ou escreves, ou fazes o que quer que seja que queiras fazer. Apenas faz a tua arte, à tua maneira e entretém-te.

16- Deitem tudo cá para fora. Irritem-se e zanguem-se, todos temos esse direito. Não vale a pena engolirem o que vos dizem ou fazem, para depois passar uma noite sem dormir pensando no assunto.

Claro que o universo está em constante movimento, assim como nós. Muitas coisas vão continuar a mudar. E espero daqui a uns anos poder voltar a escrever um post deste género. I love you all to Saturn and back. 

19/04/2017

Sixteen Springs

Hey hey hey! A desaparecida encontra-se de regresso à escola, após uns dias muito bem passados na Serra da Estrela, um destino já habitual para esta família na altura da Páscoa. Ninguém tem a noção de como estes dias me souberam pela vida. Longe dos ares que eu estou cansada de respirar. Por vezes sabe bem fugir da rotina, e embora alguns pequenos pormenores acabem sempre por nos perseguir, voltamos muitas vezes com a cabeça mais fresca.

19 de abril de 2001. É a data que consta na minha certidão de nascimento.
Isso significa que hoje é o meu aniversário.
16 primaveras. Dezasseis doces anos.
Não vou começar com um texto nostálgico do género "Parece que foi ontem que...", acreditem, é desnecessário. No entanto, sou perfeitamente capaz de olhar para trás e de perceber o quanto eu mudei. O meu estilo, os meus gostos, as minhas ideias. As minhas atitudes (ou a falta delas), mas especialmente, a minha perspetiva sobre o mundo que nos rodeia.

Talvez este dia não esteja a ser o melhor. Andava tudo a correr tão bem que eu acabei por criar demasiadas expetativas, e como sempre, acabei por me desapontar. E tal como nos outros anos, sinto que é altura de uma mudança. Posso mudar de ninho muitas vezes, mas nada irá mudar se eu continuar a bater as asas da mesma maneira. Só espero que os próximos dias sejam melhores.
 
I'll be back soon. Love you all to Saturn and back.

25/03/2017

Homesick for the home I've never had

Encontro-me no mesmo lugar há dias, anos.
Mas nunca me senti tão perdida.
Em todos os aspetos.

Desporto dá saúde e faz crescer, e à conta disso desloquei a rótula. Passo imenso tempo deitada na cama, com a perna esticada. Como muito pouco com medo de engordar, mas como demasiado para não chorar. Passar o dia todo na mesma divisão da casa faz-nos pensar nas coisas mais absurdas, criando problemas inexistentes, ilusões que precisam de ser desfeitas. Acabamos por perceber que estamos sozinhas nesta corrida. E, ao mesmo tempo, acabamos por perceber que escrevemos os sentimentos de uma única pessoa no plural, na esperança de afugentar a nossa solidão.

Podem não acreditar, mas eu inicio a sessão desta conta muitas vezes. Escrevo e reescrevo os meus pensamentos em rascunhos que acabam no lixo. Sinto que nunca consigo encontrar as palavras certas. Ou que mais ninguém iria entender as minhas paranóias esquisitas e inseguranças fúteis. Lembro-me dos tempos em que eu passava aqui horas a desabafar e a escrever sobre as pequenas coisas que me passavam pela cabeça. Saturno era o meu refúgio, mas eu fugi à muito tempo.
A noite será longa. Há muitas coisas que precisam de ser mudadas, e mudanças precisam de ser planeadas. Enquanto a mudança radical não puder acontecer, tenho de mudar umas pequenas coisas ao meu redor.


Os rascunhos serão apagados. Preciso de espaço para novas ideias. E espero poder vir aqui mais vezes. Não posso prometer nada, mas talvez seja seguro dizer que a sereia planeia regressar ao seu planeta.